Por fim, a terceira parte do livro oferece cinco diálogos para discutir conceitos e realidades da luta das mulheres em defesa dos territórios na América Latina. Um dos textos coloca em xeque o conceito de Pacha Mama, largamente adotado por movimentos sociais, ecologistas e indígenas, questionando o motivo que levou — e continua levando — à atribuição de um "gênero" à terra e à natureza. Outro ponto de debate é o "patriarcado ancestral", ou seja, a existência, entre os povos indígenas, de uma cultura machista anterior à colonização, com valores que não eram iguais aos impostos pelos europeus, mas que, ainda assim, e de formas totalmente outras, oprimiam as mulheres. Com um pé na academia e outro na militância, Corpos, territórios e feminismos pretende nomear as sujeitas invisibilizadas pela história imposta pelos vencedores — quase todos homens, heterossexuais, brancos, ocidentais e burgueses. Para povos originários, comunidades subalternas e coletivos periféricos, a defesa do território sempre existiu — é um processo de vida em devir e com memória ancestral. A visibilidade que essas lutas alcançaram atualmente é uma resposta à violência sanguinária do sistema capitalista, patriarcal e colonial, que direciona seu ódio às formas de vida que incomodam, às maneiras disruptivas de ser e pensar, que destoam do arranjo da ordem estabelecida e que dizem basta!